segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Só quero que me perdoe, por favor.
Anjo, me desculpe por ter te decepcionado. Tenho certeza que o senhor está magoado comigo até agora por eu ter repetido. Afinal, essa era a última coisa que o senhor queria para sua bebêzinha. Quero que me perdoe, papai! Me perdoa, tá bom?
Entenda o meu lado, vida. Esse foi um ano muito difícil pra mim, e o senhor sabe disso, pois sei que quando eu cai nas dificuldades, foi o senhor que me deu a mão pra levantar.
Me levanta outra vez? Estou no chão e não quero sair daqui, parece que me acostumei com isso, a queda não me surpreende mais, e eu poderia facilmente ficar aqui deitada no chão. Ninguém mais pode me ajudar, mas acho que se o senhor estivesse aqui, eu já estaria em pé novamente. Aliás, acho que se o senhor estivesse aqui, nada disso estaria acontecendo.
Me perdoa, me desculpa, me entenda, me perdoa! Eu te imploro, papai. Eu fui fraca, eu não consegui, eu perdi, eu lutei mas perdi essa batalha. Mas não me deixa perder uma guerra inteira só por ter perdido uma batalha, por favor, me ajuda.
Amanhã/hoje eu viajo, vou pro Med. Espero que lá seja bom e me faça esquecer um pouco dessa realidade pertubadora.
Tem uma frase de uma música que resume tudo que preciso te dizer: "Eu nunca vou conseguir ganhar esse jogo sem você.". Hoje vejo que minha vida dependia da sua.
É clichê dizer que sinto mais sua falta do que de qualquer coisa ou pessoa no mundo? Talvez seja clichê, mas é verdade.
Eu te amo tanto.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Como me sentir importante sem quem fazia com que eu me sentisse assim?
Talvez seja por isso que eu sinta tanto a sua falta, né pai? Talvez seja por precisar de alguém que me fazia sentir importante. Acho que eu preciso de você. Porque você era a única pessoa no mundo que demonstrava com atitudes o quanto eu significava. Acho que você também precisava de mim, sabe? Era uma espécie de "troca". Precisávamos um do outro.
Eu preciso da sua atenção. Você era a única pessoa que deixava de lado tudo o que estava fazendo por mim. Você arrumava um tempinho pra mim. Pra ir me buscar e levar na escola, no dentista, nas festas, no shopping e em qualquer lugar que eu quisesse ou precisasse. Isso me deixva despreocupada e assim parecia que eu tinha valor na sua vida.
Talvez pareça até mesmo um drama. Mas não é, pai. A mãe nunca arruma um tempo pra mim. No caso dela, ela só arruma tempo se isso também trouxer benefícios à ela. E não pense que me ver feliz é o suficiente para ela. Isso era o suficiente para o senhor, mas pra ela... Jamais será. Vocês são tão diferentes que nem sei como eram capazes de se entender e como ficaram juntos tantos anos. Algumas vezes ela até tenta ser como você, mas a verdade é que ela nunca chegará aos seus pés. Deus que me perdoe por dizer isso e por ser tão mal agradecida. Mas o senhor sabe como a mãe sempre foi comigo.
Queria que você me dissesse que amanhã tudo dará certo, queria que me falasse que vou conseguir surpreender todo mundo e passar de ano, afinal, me esforcei para isso. Mas talvez se o senhor estivesse aqui, eu nem estaria passando por toda essa dificuldade na escola. Por que você foi embora tão cedo, meu anjo?
Desculpe se eu estiver pertubando a sua paz. Só queria que você estivesse aqui pra me abraçar. Queria ouvir a sua voz. Só isso. Eu te amo mais do que tudo nessa vida.
Quero você ao meu lado
(Texto escrito dia 16 de Novembro)
Anjo... Estou precisando de você. Hoje cheguei um pouco tarde em casa e resolvi dormir com a mãe, apesar dela já estar dormindo. Aí eu notei que eu estou no seu lado da cama. Lembro que eu costumava dizer que você e a mãe tinham um "ímã" na hora de deitar, porque você sempre dormia na esquerda e ela na direita. Estou naquele lugarzinho onde você colocava a mão embaixo da cabeça e ficava todo encolhidinho pra dormir.
Sinto saudades de quando o senhor falava que a sua "bebêzinha" já estava muito grandinha pra ir dormir com vocês. E eu jogava minha perna por cima do senhor ou da mãe e dormia assim.
E quando a mãe viajava e eu dormia com o senhor... Ah, que saudade! E eu ainda reclamava que a tv tava alta e fazia o senhor desligar ou abaixar.
Anjinho, se o senhor estiver por perto, deita aqui comigo. Deita. Quero você aqui do meu ladinho.
Te amo muito mais, meu rei.
Desistir?
(Texto escrito por volta do dia 20 de Novembro)
Papai, me perdoa?! Estou com pensamentos horríveis. Espero não te pertubar ou magoar com isso. As coisas tem se tornado cada vez mais difíceis. Eu estou indo de mal à pior na escola. Pra ser sincera, acho que vou reprovar.
Não me leve à mal, nem queira me dar um sermão, não brigue comigo e nem me julgue. Mas, se amanhã eu fosse no médico e ele me dissesse que eu estou em fase terminal de câncer, eu ia sorrir e falar "ufa, passou, acabou o sofrimento!". Me desculpa, pai. Não sou forte e batalhadora como o senhor. Acho que sou o oposto. Sou fraca. Tento ser rapadura por fora, mas na verdade, sou maria mole por dentro.
Não fique triste comigo, nem decepcionado ou bravo. Só peço que ao menos tente me entender. Sei o quanto estou sendo boba e parecendo uma criancinha dramática. Mas é que realmente tudo está doendo e pesando em mim.
Acho que a vida é assim... Mas também acho que eu já sofri o suficiente, né?
Espero que o senhor esteja aqui pertinho de mim, e se estiver, me dê um abraço. Estou precisando de um abraço, do seu abraço.
Eu sinto a sua falta mais do que tudo. E daria qualquer coisa para estar com o senhor. Eu te amo muito, meu anjo.
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